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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

29.Dez.17

O Tempo Nunca Está Em Saldos

Sérgio Ambrósio

O shopping é o facebook da vida real. Hoje fiz “iniciar sessão” no shopping. Tinha 87 notificações com convites para gostar de lojas de telemóveis, perfumes, roupa, sapatilhas, entre outras.

 

3 pedidos de amizade: um da Tânia da Worten, outro do Filipe da padaria do Continente e um da Margarida da Springfield que gamou os meus dados quando preenchi o formulário para o cartão de adesão. Mas cheira-me que não queriam a minha amizade, apenas o meu dinheiro.

 

Tinha 3 comentários de foto. A Massimo Dutti a dizer que eu parecia um matrão numa das minhas fotos. A Zara a dizer-me que tem lá uns casacos que me ficariam mesmo bem. E o McDonald's a comentar o quão bom efeito estão a fazer as calorias dos seus produtos no meu corpo.

 

Na minha timeline, vi que a Matilde está numa relação com o novo Iphone. Fico feliz por ela. Aproximei-me dela e pisquei-lhe o olho, em sinal de like.

 

Há muita gente que me tem adicionada como amigo mas passaram por mim e fizeram de conta que não me conheceram. Típico das amizades virtuais.

 

Vi uma gatinha a tirar uma selfie. Fiz-lhe um olhar atrevido e comentei: «és pouco boa, és». Bloqueou-me. Já não consigo ver as fotos dela.

 

Disse “olá” a uma fulana qualquer e ela olha-me com cara rude. Também me bloqueou. Julgo que fê-lo unicamente por um julgamento físico da minha pessoa e não das minhas qualidades enquanto ser humano. É um comportamento injusto.

 

Mas o que irrita à brava é um gajo querer gozar a sua melancolia, observando montras (e produtos que não pode comprar) e deparar-se com casais abraçados, exalando amor, de mãos entrelaçadas ou de braços em volta do pescoço ou aos beijos. Assim ninguém aguenta, não dá para gozar a soturnidade.

 

E depois é só gente atrevida. Só gente a fazer compras, sem respeitar aquelas pessoas – tipo eu – que vão ao shopping com o único intuito metafísico de contemplar as paisagens de livros, electrodomésticos e pilhas de roupas, na esperança de afundar as emoções para trazer à superfície temáticas interessantes para crónicas.

 

A grande diferença entre o facebook e o shopping é que no facebook cansas os dedos e no shopping cansas os pés. E gastas quase sempre dinheiro. Enquanto que no facebook não perdes dinheiro, só tempo. Mas tempo é dinheiro, certo?

29.Dez.17

Post em Destaque no SAPO

Sérgio Ambrósio

portal sapo matar saudades.png

Mais um dia em que o SAPO foi muito gentil com o meu blog e colocou-o nos destaques. O post em relevo foi Matar Saudades. Forte agradecimento à equipa do SAPO Blogs pela cortesia e a todos os leitores pelas visitas e comentários. Podem ler também outros textos que já foram destacados: O Melhor de Sempre, Felicidade com Letra Minúscula e A Moça do Shopping.

saudades destaque sapo.png

 

28.Dez.17

O Meu Presidente

Sérgio Ambrósio

Pinto da Costa faz hoje 80 anos. Sozinho tem mais títulos internacionais que todos os clubes portugueses juntos. É muita fruta!

 

Sempre foi um homem polémico. Principalmente por ganhar mais títulos do que os clubes rivais de Lisboa. Não há invejoso que resista a odiá-lo.

 

É o presidente com mais títulos no mundo e, de longe, o dirigente com melhor sentido de humor em Portugal. Se não fosse o melhor presidente de clubes do mundo seria um excelente stand up comedian.

 

Pinto da Costa é um galã. Já papou mais gajas que o Zezé Camarinha e o Nacho Vidal juntos. Ah, valente!

 

Pinto da Costa é tão bom, tão competente e tão bem sucedido que até já quiseram prendê-lo. Sacanas! Mas o Benfica continua a ser rei e senhor no que a presidentes presos, diz respeito, não é Vale e Azevedo?

 

Uma coisa que muito admiro e agradeço ao Benfica foi nunca ter raptado Pinto da Costa, como fizeram, por exemplo, com Eusébio.

 

Graças a Deus também que nunca Governo algum se lembrou de deslocalizar o Estádio do Dragão, os Clérigos e o Pinto da Costa para Lisboa, a Capital do Império. Portugal é um país muito centralista. No entanto, o Porto pode ser a segunda cidade de Portugal mas é sempre a primeira cidade de Portugal no futebol internacional.

 

Pinto da Costa é um dos homens mais corajosos que este país já viu nascer. Já lhe quiseram bater, já o quiseram prender, já o quiseram calar, já lhe desejaram a morte num programa da BTV, mas ele nunca teve medo de defender o Porto e a região Norte. Nem nunca terá enquanto for vivo.

 

Os adversários bem que podem achincalhá-lo na praça pública e nos órgãos de comunicação social. Podem tentar tudo mas jamais lhe arrancarão a grandeza e o misticismo da sua figura.

 

E não precisa que portista algum venha a terreiro defendê-lo. O seu currículo fala por si: muito ouro sobre azul.

 

Tudo passa, menos o meu presidente. Porque Pinto da Costa é eterno, carago! Parabéns Sr. Presidente!

27.Dez.17

Bolo-rei

Sérgio Ambrósio

padaria portuguesa bolo rei.jpg

Sabes que a monarquia está pelas ruas da amargura quando os bolos-reis são postos no caixote do lixo. Já não se respeita quem tem fome, não se respeita a culinária, nem a monarquia. A não ser que a Padaria Portuguesa quisesse dar um presente de Natal aos ratos da cidade de Lisboa.

 

Andou a malta a gastar rios de dinheiro numa regueifa monárquica de frutos secos e cristalizados quando afinal bastava ter esperado pelo fecho do comércio para tê-las de borla. Há milagres de Natal. Mas este foi efectivamente um azar.

 

Aqueles bolos-reis davam para alimentar, no mínimo, dez almas famintas. Já o Zé Diogo Quintela de outros tempos teria lambido aqueles bolos-reis todos num só lanche.

 

Assim se vê que ninguêm passa fome em Portugal. Se houvesse fome, não teriam ficado ali o tempo todo. Aliás, os bolos-reis da Padaria Portuguesa devem ser tão maus que nem os ratos lhes pegaram. Ou será que a Padaria Portuguesa quis deixar o típico miminho aos lixeiros para eles levarem para casa?

 

Se realmente houvesse espírito de equipa na Padaria Portuguesa não colocavam aquilo no lixo e iam antes entregar os bolos-reis aos estúdios do Preço Certo.

 

Eu não gosto muito do Natal e acho que o Natal contemporâneo está bem patente naquela imagem dos bolos-reis em cima de um caixote do lixo: tanto desperdício, tanto excesso, tanto negócio, tão poucos valores, tanta insensibilidade…

26.Dez.17

Matar Saudades

Sérgio Ambrósio

Sabe tão bem quando pegamos numa metralhadora e fuzilamos as saudades, não sabe? Porém, isto soa muito mal. Faz-nos parecer o Pablo Escobar que lidera um cartel de emoções e executa inimigos que são apelidados de saudades.

 

Eu não me deveria sentir um assassino que tem prazer em pegar numa catrefada de saudades, executá-las e metê-las numa vala comum. Mas que prazer é este em matar saudades?

 

Nunca pensei que um abraço, um beijo, fossem armas tão poderosas. Mas parece que são. Acho que gestos tão bonitos não deveriam implicar matar nada. Nem mesmo as saudades.

 

Um afecto serviria para jogar as saudades no lixo, para espezinhar as saudades, para mandar as saudades à fava. Mas ninguém diz isto. Toda a gente diz «matar saudades».

 

Somos todos assassinos. Do bem, é certo. Mas não passamos de uma horda de assassinos de saudades. E se alguém se lembrar de criar direitos para a saudade? E um tribunal que puna quem mata saudade? E uma cadeia que albergue todas as pessoas que matam as saudades?

 

Espera aí, essa cadeia já existe! Chama-se Planeta Terra. Como não lembrei antes? Eu tinha saudades da tua pessoa. E matei a saudade de ti. Espero que não tenhas ficado chateada. Nem me denuncies à polícia por ser um assassino de saudades sem emenda. Obrigado.

21.Dez.17

Censura em 2017

Sérgio Ambrósio

jovem conservador de direita.jpg

É um tempo triste para quem pugna pela liberdade de expressão e pela proliferação do humor. A página do Jovem Conservador de Direita foi eliminada pelo Facebook, após denúncias. Tantas páginas que fomentam o ódio e a violência por essa internet fora e continuam online. Uma página satírica é que é um perigo para o mundo! Isto está bonito, está... Hoje já nem me apetece escrever mais. Fico-me pela reflexão. Para saberem mais sobre este assunto, acessem na seguinte ligação: https://www.jn.pt/inovacao/interior/vitima-de-racismo-digital-jovem-conservador-de-direita-e-apagado-do-facebook-8999521.html

20.Dez.17

Fim

Sérgio Ambrósio

A tua boca irresponsável. Desarrumaste-me o coração. Abriste-me a gaveta de todas as tristezas. As minhas palavras perdidas nos flancos da solidão. A água a dançar nos meus olhos.

 

O brilho do cruel triunfo da tua vontade. O vapor do cruel adiamento do teu sexo e das tuas coxas, apesar de eu saber que palmilhei a paisagem íntima do teu corpo só por te amar.

 

Na estiola dos meus arrepios, fica a cicatriz do teu cheiro devorando-me. As hastes da nossa luz quebraram. Acabamos de nos dissolver nos cemitérios da escuridão.

 

O amor cala-se. Amar é um jogo e eu tenho na mão as cartas viciadas do destino. Faça-se uma vírgula na vida.

 

Viveste-nos. A vida não foi grande coisa de coisa que não foi real. Na verdade dos meus olhos e da minha imaginação, a vida não é mais do que uma sala de espera dum consultório.

 

Pagamos caro a consulta, desesperamos pelo atendimento das nossas vontades, sofremos com as dores e no fim sabemos que não há cura.

 

É inevitável o que virá depois. Tudo o que deu tanto trabalho a fazer-se alui num minuto. O destino não é palpável como a vida porque o verdadeiro destino é a morte.

19.Dez.17

Tu Não Tens Nome

Sérgio Ambrósio

Acode-me a trepidação da imaginação para me equilibrar. É através da imaginação que eu salvo o mundo. Todo o mal da vida contrai-se de susto pelo músculo do sonho.

 

A sensualidade de vaguear no impossível. Cada sonho deixa uma espuma na alma. Tornar real o sonho da noite passada é a contínua sina da minha vida.

 

Mas amo mais o cheiro da tinta da caneta que as letras que desenho. Amo mais o brilho da folha que as palavras que a preenchem. A minha escrita é nada. O estrondo da caneta a pousar no papel. Uma prosa de ruínas.

 

No limiar da cadência da manhã, sinto que foi uma pena não me ter esquecido dos sentimentos em casa. Mas é esta suprema maldição de se nascer com um peito onde se planta um coração para se sentir o desabrochar de todas as primaveras. Retiro o sorriso do bolso e recoloco-o na minha boca.

 

Já não passeio com a tua saudade pela rua. Ela soltou-se da trela da minha mente e fugiu-me, sem deixar vestígio. O meu coração fatigou-se, consciencializou-se e deixou de bater. Por ti. Tu não tens nome. Porque eu não sei mais o que ele significa para mim.

 

Tu não tens nome. Porque não reconheço a pessoa em que te tornaste. Tu não tens nome. Porque a minha boca desiludida desaprendeu a dizê-lo. Tu não tens nome. Porque ele tem veneno e eu não vou morrer pelo absurdo de soletrá-lo.

 

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