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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

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12.Dez.17

A Morte Vai Ao Psicólogo

Sérgio Ambrósio

MORTE: Estou muito triste, Doutor. Sacrifico-me a trabalhar e toda a gente me odeia por causa do meu trabalho. Não estou a conseguir lidar com tanto ódio, principalmente porque estou apenas a desenvolver a minha actividade laboral.

 

PSICÓLOGO: Se calhar, você poderia mudar comportamentos na forma como executa o seu trabalho. Por exemplo, podia deixar de matar crianças, evitar execuções em massa, vítimas de atentados terroristas... Assim talvez esses seus haters não a odiassem tanto, não a temessem tanto e nem olhassem para si como uma senhora sádica e maldosa.

 

MORTE: Acha que eu gosto de matar crianças e inocentes?

 

PSICÓLOGO: Se calhar, também podia mudar de visual. Vestir-se de preto, com capuz e andar de foice é um estilo muito medieval, fora de moda, não acha? Podia adoptar uma roupagem mais vanguardista, em voga, popular entre a juventude, por exemplo. Por que não experimenta streetwear? Talvez assim ganhe mais crédito positivo nas ruas.

 

MORTE: Não, Doutor, o meu estilo é mais gótico mesmo, com claras influências punk. Além disso, gosto muito de ouvir Moonspell e assim, e o streetwear está mais ligado ao hip hop. Não curto muito.

 

PSICÓLOGO: Então é por isso que anda a matar alguns dos meus rappers favoritos!

 

MORTE: É geral. Tenho de matar gente desde o hip hop ao rock, ao funk, à pop... É do caraças, Doutor. Mas é apenas o meu trabalho! Gostava de mudar de vida, sabe.

 

PSICÓLOGO: E por que não muda de profissão?

 

MORTE: Assinei contrato vitalício com o meu patrão.

 

PSICÓLOGO: Você tem sindicato?

 

MORTE: Deus me livre, não me meto com essa gente.

 

PSICÓLOGO: Então mas tem alguma distracção nos seus tempos livres?

 

MORTE: Que tempos livres? Não tenho férias desde o tempo dos dinossauros. De lá para cá, foi sempre a dar no duro. Veja bem a minha vida, Doutor.

 

PSICÓLOGO: Ora bem, está sob muito stress, trabalha demais, tem de meter baixa médica, para estar em casa a descansar.

 

MORTE: Nem pensar. Acha que o mundo ia estar, uns tempos, sem gente a morrer? Era o que faltava! É que não há ninguém para me substituir. O Doutor já me enervou. Agora para relaxar, tenho de matar alguém, que é como fazia o Dexter, naquela série de adoro. O Doutor tem mais consultas hoje?

 

PSICÓLOGO: Não, porquê? Está a assustar-me com essa conversa…

 

MORTE: Pois, eu também me assustava um bocadito. Parece que amanhã os seus pacientes vão ter que arranjar um psicólogo novo. É pena, estava a gostar de si. Até à parte em que criticou o meu visual. Há motivos fúteis para se morrer e o Doutor parece que escolheu um. Veja lá se a minha foice também passou de moda.

 

ZÁS!

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