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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

08.Nov.17

Ai Quem Me Dera

Sérgio Ambrósio

Era fixe que a estupidez tivesse limites, não era? Mas não tem. Afinal, estamos em Portugal. Não se pode exigir mais. Dizem que somos uma democracia, mas é só às vezes. Dizem que não há censura e que todo o cidadão tem direito à liberdade de expressão. Ora, então por que não deixam cantar o Macaco?

 

O Macaco não estar num jogo do Porto, num estádio ou pavilhão, é a mesma coisa que o Benfica jogar e os No Name não andarem a fazer asneiras. O Macaco já faz parte do roteiro de quem visita o Dragão. Sem o Macaco, a quem é que as pessoas vão pedir uma selfie? Ao Emplastro?! Por favor, tenham noção!

 

As claques do Benfica gostam tanto de violência que quando não têm rivais para andar à porrada confrontam-se entre elas. Mas andar à mocada não dá castigos. Cantar é que dá castigos. Por muito estúpido e criticável que seja o cântico, deve sobrepor-se o direito à liberdade de expressão. Senão mande-se também castigar a Rebeca, a Quina Barreiros e o Mickael Carreira pelas alarvidades que cantam pela boca fora.

 

Se é para castigar quem fala ou canta besteiras, eu acho que o Parlamento ficava 6 meses em silêncio. De uma ponta à outra das bancadas. Ora, se aturamos os devaneios dos políticos, dos cantores, dos apresentadores de televisão, dos comentadores de futebol, deixem o Macaco cantar. Mesmo que ele desafine ou diga palavrões. Tem de prevalecer a igualdade para todos.

 

Deixem o Macaco cantar, até pelos serviços prestados ao país no Euro 2016. Só fomos Campeões da Europa à custa do Macaco ter formado uma claque de apoio. A gente só com emigrantes a apoiar não ia lá das pernas, pessoal. Deixem cantar o Macaco, até porque ele nunca matou nenhum adepto do Sporting. Apenas deu dois biqueiros e um banano em 2 ou 3 Casuals do Sporting que vieram, sem escolta, ao Dragão. Deixem cantar o Macaco, até porque ele nunca matou nenhum adepto italiano e até trocou cachecóis com adeptos da Juventus, em plena bancada, em Turim.

 

Deixem cantar o Macaco, até porque ele nunca incendiou nenhum autocarro em jogos de hóquei em patins. Deixem cantar o Macaco, até porque ele se dá bem com o Pedro Proença e nunca lhe foi às fuças. Deixem cantar o Macaco, até porque ele nunca roubou nenhuma camisola a um rapaz de cadeira de rodas. Se Portugal não terminar, ainda em 2017, numa guerra civil vai ser uma sorte. Se o Porto se anexar à Catalunha independente, ainda em 2017, vai ser uma bênção.

 

Ai quem me dera que neste país todos fossem tratados de igual; houvesse liberdade de expressão; não houvesse impunidade; não houvesse centralismo. Ai quem me dera… Eu sei que é pedir muito. Mas permitam-me o desabafo: ai quem me dera que o avião da Chapecoense tivesse aterrado são e salvo; ai quem me dera que quem se despenhasse nos quintos dos infernos fosse a estupidez que reina alegremente neste Portugal.

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