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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

07.Nov.17

Anti-Telejornal

Sérgio Ambrósio

Não. Não é por veres o Telejornal que o país e o mundo vão ser automaticamente melhores. Além disso, o Telejornal não serve para me manter informado. Serve apenas de meu padrinho na minha relação oficial com a desgraça.

 

O Telejornal é um programa perverso. Leva as pessoas a gostarem de uma coisa que é má: entreterem-se com os males de Portugal e do mundo. Eu não preciso de ver o Telejornal para saber que o mundo é a sanita onde Deus faz o seu cocó. Basta-me sair à rua para eu saber isso. Mais, basta-me olhar ao espelho para perceber que Portugal é do piorio.

 

Então para quê hora e meia de assassinatos, terroristas, corrupção, guerras, doenças? Isto não é informar-me, isso é dizer-me algo que eu já sei. Só muda a localização, as pessoas, as nacionalidades, as estirpes e as classes profissionais. É um pouco como as novelas da TVI, é sempre a mesma coisa, só muda a canção do genérico.

 

O Telejornal se quisesse realmente entreter-me e fidelizar-me despedia o José Rodrigues dos Santos e metia a Inês Gonçalves a dar notícias enquanto se despia. Que saudades das Nutícias, com a Paula Coelho, na SIC Radical. Isso sim, eram notícias agradáveis e entretidas...

 

O Telejornal se quisesse fazer serviço público deixava-se de tretas e fazia: ia limpar as matas, ia fazer segurança no Urban Beach, ia separar as claques do Vitória de Guimarães e do Benfica, ia levar água ao Alentejo, ia combater a legionella… Agora, cobrir acontecimentos é fácil. Serviço público era dar-me dinheiro, não é obrigarem a pagar uma taxa de televisão e rádio.

 

E mais, não é dizerem-me como está o trânsito, era emprestarem-me o helicóptero da RTP para eu evitar o trânsito. Então para que pago taxa? Não é dizerem-me que vai fazer frio e chover. Era vir um carro da RTP buscar-me a casa para eu não me constipar. Isso é que era serviço público que todos os portugueses esperavam e mereciam.

 

Se a televisão não quer perder para a internet, se o Telejornal não quer perder para o YouTube, é bom que dê as notícias que realmente importam: informar os telespectadores sobre qual é o Instagram da jornalista Inês Gonçalves. Era passá-lo mesmo em rodapé no Telejornal. Durante hora e meia. Não é machismo, é apenas querer transformar o Telejornal num programa mais bonito, já que o país e o mundo andam tão feios.

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