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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

19.Out.17

Autoajuda ou Auto-Ajuda (ou lá como se escreve)

Sérgio Ambrósio

Ainda bem que o caro leitor veio ler esta crónica. Estava mesmo à sua espera. Leia que é grátis, não tem de pagar nada. Ao contrário da literatura de autoajuda, em que o leitor tem de gastar 20 paus num livro, ao menos aqui é mais económico. Pode perder tempo mas dinheiro não perde.

 

No entanto, há alturas em que eu acho que era melhor ler a parvoíce dos livros de auto-ajuda do que estar a ler os meus próprios pensamentos. Mas não me apetece estar a enriquecer esses escritores e essas editoras. Gastar agora 20 euros no livro e daqui a 6 meses eu estar numa feira de velharias a vendê-lo por 1 euro, e mesmo assim ninguém lhe pegar, parece-me um mau negócio. E quem é que quer comprar conselhos para a felicidade por 1 euro? Ninguém, porque as pessoas não são estúpidas, por 1 euro vêem logo que o livro é tanga.

 

Depois assola-me uma dúvida. É o nome: auto-ajuda. Auto-ajuda? Mas como é que eu vou ajudar-me a mim próprio, se eu nem me dou bem com a pessoa que sou? É o cabo dos trabalhos. Vamos lá ver uma coisa, se os conselhos fossem assim tão bons, acham mesmo que os livros de auto-ajuda só custavam 4 contos já com IVA? Vão ao dentista pedir conselhos sobre uma boa dentição e ele não vos cobra menos de 40 euros. E não recebem um livro, só recebem uma folha, que é a factura.

 

A receita mágica para a felicidade é mais ou menos isto: não te chateies muito senão ainda faleces rápido. É só isto. Não há receitas mágicas para a vida. Porque ninguém sabe muito bem o que a vida é. Mas arrelia-me que um gajo não se possa sentir perdido na sua existência que, mal entra numa livraria, depara-se logo com 200 títulos de livros de auto-ajuda. Por favor, deixem um gajo lixar-se à vontade.

 

Se um escritor de livros de auto-ajuda me quisesse realmente ajudar ele não escrevia livros. Vinha a minha casa e limpava-me o carro, que anda sempre sujo. Agora, toma lá um livro, passa para cá 20 paus e desenrasca-te. Isso não é nada. Vou ter que ter o trabalho todo a ler o livro, ainda por cima. Cá para mim, a auto-destruição é mais económica. E é capaz de ser mais divertida.

 

Vou mas é enveredar pela literatura de auto-destruição a ver se ganho uns trocos, que a vida não está fácil para ninguém. Sou capaz de começar assim: “tu consegues tudo, até falhares na vida, basta pensares positivo!”. Amanhã sou capaz de vos mostrar mais umas frases nada inspiradoras. Se não tiverem livros de auto-ajuda para ler, já sabem, passem por aqui.

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