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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

27.Dez.17

Bolo-rei

Sérgio Ambrósio

padaria portuguesa bolo rei.jpg

Sabes que a monarquia está pelas ruas da amargura quando os bolos-reis são postos no caixote do lixo. Já não se respeita quem tem fome, não se respeita a culinária, nem a monarquia. A não ser que a Padaria Portuguesa quisesse dar um presente de Natal aos ratos da cidade de Lisboa.

 

Andou a malta a gastar rios de dinheiro numa regueifa monárquica de frutos secos e cristalizados quando afinal bastava ter esperado pelo fecho do comércio para tê-las de borla. Há milagres de Natal. Mas este foi efectivamente um azar.

 

Aqueles bolos-reis davam para alimentar, no mínimo, dez almas famintas. Já o Zé Diogo Quintela de outros tempos teria lambido aqueles bolos-reis todos num só lanche.

 

Assim se vê que ninguêm passa fome em Portugal. Se houvesse fome, não teriam ficado ali o tempo todo. Aliás, os bolos-reis da Padaria Portuguesa devem ser tão maus que nem os ratos lhes pegaram. Ou será que a Padaria Portuguesa quis deixar o típico miminho aos lixeiros para eles levarem para casa?

 

Se realmente houvesse espírito de equipa na Padaria Portuguesa não colocavam aquilo no lixo e iam antes entregar os bolos-reis aos estúdios do Preço Certo.

 

Eu não gosto muito do Natal e acho que o Natal contemporâneo está bem patente naquela imagem dos bolos-reis em cima de um caixote do lixo: tanto desperdício, tanto excesso, tanto negócio, tão poucos valores, tanta insensibilidade…

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