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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

17.Out.17

Deveríamos Ser Todos Ciganos

Sérgio Ambrósio

É verdade. Porque o Estado não falha com os ciganos. Nem as Câmaras Municipais. Nem as Juntas de Freguesia. Nem as instituições de solidariedade social. Quem não gosta de ciganos, não o faz pela cor da pele, fá-lo porque inveja o lifestyle dos ciganos.

 

Isto não é a fazer pouco dos ciganos. É uma ode aos ciganos. Porque os ciganos é que estão certos na forma como encaram a vida: exigem tudo do Estado. Mesmo que tenham que bater ao Presidente de Junta ou da Câmara ou à PSP. O único cigano que eu conheço que trabalha – e bem – é o Ricardo Quaresma. E trabalha porque quer, obviamente.

 

O Estado funciona com os ciganos, excepto com a restante população portuguesa, que tem de trabalhar para sobreviver. Ora, isto deve-se ao facto dos portugueses, que não são ciganos, serem muito brandos e pouco exigentes com quem manda no nosso país.

 

Há pessoas que comem o pão que o diabo amassou para durante 30 anos pagar uma casa ao Banco. Aos ciganos dão casas. Isso é que está certo. Porque a gente vai (como é que se diz?) falecer, um dia, e só andamos a rebentar o lombo para pagarmos um espaço onde só dormimos praticamente e depois nem levamos nada connosco quando formos para a outra vida.

 

Uma pessoa normal (ou dita pobre, vá) levanta-se às 6 da manhã, toma banho, faz o pequeno-almoço para os filhos, leva os miúdos à escola, vai alombar por um salário mínimo das 8h às 17h, vai às compras, vai buscar os filhos à escola, faz o jantar, lava a louça e depois, quando tem tempo para ver uma novela ou uma série, adormece. Enquanto isso o cigano está no bem bom, fresco que nem uma alface, depois de ter visto todos os episódios da última temporada da “Guerra dos Tronos”, num só dia. Dá inveja, não dá?

 

Ou seja, para se ser feliz neste país a condição essencial passa muito por ser cigano. Se houvesse um referendo em Portugal para decidir quem queria mudar de etnia, eu queria deixar de pertencer à etnia dos estúpidos e passar a ser cigano.

 

André Ventura, por exemplo, podia ter sido mais inteligente. Em vez de atacar os ciganos, devia ter dito que iria pôr toda a gente a viver o lifestyle dos ciganos em Loures. De certeza que ganhava a Câmara e a sua popularidade iria subir a pique ao ponto de os politólogos apontarem-no como futuro Primeiro-Ministro.

 

O cigano não precisa de ir à escola. Muito menos à escola de condução. Não precisa de comprar livros, tem de graça. Tem casa de graça. Tem água, luz e gás de borla. O Estado paga-lhes subsídios para passearem, dançarem e aproveitarem a vida, que é tão curta, não trabalhando. Concluindo, o cigano veio ao mundo para ter tudo de graça!

 

E provoco eu, não deveria ser assim para toda a humanidade, tendo em conta que isto é tão breve, que daqui a nada batemos a bota e nem aproveitamos a vida? Acho que temos de parar de odiar ciganos e vivermos como eles.

 

Pronto, não tem que ser ipsis verbis, podemos ter uma atenção diferente no quesito de moda e higiene. Mas, de resto, sermos todos ciganos era totil. Era o mais acertado, em suma. Porque o Estado não falha com nada aos ciganos. E o nosso problema é não sermos exigentes com o Estado. E nada fazermos mesmo quando o Estado merece levar duas chapadas na boca.

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