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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

21.Out.17

Dragão: Teatro de Fogo

Sérgio Ambrósio

Em caso de incêndio nas bancadas, a nossa paixão assume a responsabilidade. Porque o Porto é o lume que nos aquece o coração.

 

Só somos felizes a descer a Alameda, com o coração a bater mais forte ao vermos o nosso amor. Lá ao fundo, na ânsia do abraço que acalma, no stress da ausência que inquieta.

 

Os nossos olhos renovam-se ao contemplar o estádio. Como se tudo de mau que foi visto ficasse do lado de lá das pálpebras e proporcionasse a liberdade à beleza.

 

Noventa minutos onde nos permitimos sonhar, num país onde sonhar é proibido e onde ter esperança no futuro, dizem-nos, é utopia.

 

Passar o torniquete é ter o vislumbre do paraíso. Aliás, o torniquete é o S. Pedro do futebol. Só quando o aço gira é que a alma está salva.

 

Vamos contentes para o estádio porque sabemos que há alguém que se importa connosco, que nos quer fazer felizes. Nem que seja por breves momentos. Alguém que vai lutar por nós. Ter um carinho especial. E marcar um golo é uma forma de nos abraçar. E dar-nos uma vitória é uma forma de dizer que gostam de nós.

 

No estádio, cantar não é uma maneira de falar com os jogadores. É uma maneira de falarmos entre todos. A nossa voz é o coração do estádio.

 

O relvado é o tabuleiro de subbuteo onde brincávamos em miúdos. O relvado é a lâmpada de Aladino, de onde tudo pode surgir.

 

Depois, há as faces dos homens-jogadores que olham as bancadas incrédulos, sem perceberem de onde vem tanto amor. Pontos nas bancadas que são, por certo, pessoas com o coração cheio de sonhos.

 

Cantamos no ritmo da paixão, com os braços ao alto, como se fôssemos amparar Deus na queda. O Dragão é o nosso paraíso. Para os rivais, o Estádio do Dragão é uma sala de masoquismo, de onde quase sempre saem supliciados.

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