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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

25.Out.17

Identidade

Sérgio Ambrósio

O meu amor pelo Porto começou quando decidi parar com as dores da minha mãe, no parto, e vim ver afinal o que era o mundo.

 

Eu tive uma infância normal. A primeira palavra que eu disse foi «Porto». A primeira frase que eu verbalizei com total sentido foi: até os comemos, carago.

 

Ao nascer, o meu coração era tão grande que os cardiologistas fizeram-me logo o diagnóstico: sofro de portismo.

 

Desse modo, o futebol é a minha doença. Ganhar é o meu remédio. A primeira vez que beijei o emblema do FC Porto foi um momento tão intenso que o emblema sugou-me a alma.

 

Como todos os meninos que crescem portistas, também eu queria ser como o senhor Pinto da Costa. É que tal como o senhor presidente mais titulado do mundo, eu também sou muito mais portista do que ser humano.

 

Agora que cresci, considero-me um romântico, um tipo que anda com um cachecol nas mãos, pedindo que o meu clube me faça feliz, ao mesmo tempo que lhe canto lindas serenatas.

 

Mas também sou um drogado porque desespero com a ressaca até que o meu clube faça golos. Que é como quem diz: me espete a agulha nas veias, coloque a droga a correr no sangue e me liberte a dopamina no cérebro para que eu grite feliz: goooolooooooo!

 

Sem o Porto, o sangue não me corria no corpo. Sempre que tenho dúvidas sobre a minha presença no mundo, vou ao Dragão. Pronto, já sei quem sou e qual é o meu papel na vida.

 

Há quem diga que viemos ao mundo para deixar a nossa pegada, a nossa impressão digital. Eu não vim fazer nada disso. Eu vim ao mundo para que o meu amor seja tão grande que permita ao meu clube encher o museu de taças. Quando morrer não levo nada. Deixo tudo no museu do FC Porto.

 

O meu conceito de amor, o meu ideal de vida: faço-te juras eternas, encho-te de taças e morro tranquilo.

 

Ser-se portista é estar-se preparado para ter os troféus como os melhores amigos em vez das pessoas. Para um portista, a beleza é ser ele a marcar um golo e não um jogador.

 

A minha alma tem mais azul do que o céu e o mar. Passarei a vida a procurar o Porto em tudo. Mas depois de morrer, o meu sonho é chegar ao Inferno e passados 90 minutos de lá estar eu poder cantar: “Campeões na Luz!”. Novamente.

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