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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

22.Nov.17

Jantares de Natal

Sérgio Ambrósio

Está oficialmente aberta a época nas churrasqueiras e tascas do país. Para nós, portugueses, qualquer pretexto é bom para comer e beber. Já não basta a noite de consoada, em que comemos como bisontes, que ainda temos que ir antes do Natal aconchegando o estômago com jantares diversos em grupo.

 

Ele é jantares de empresa, jantares do ginásio, jantares dos amigos, jantares dos ex-colegas de creche. Dezembro é, sem dúvida, o mês do ano em que mais dinheiro se gasta em comida. É o que faz não termos um Passos Coelho que nos acabe com o subsídio de Natal e nos ponha a apertar o cinto, é o que é.

 

E para quê tanta jantarada? «Ah e tal, é a tradição, é Natal, temos de nos reunir e fazer jantares e comemorar e coiso». Tudo bem, mas sabem que quem ganha com isto é apenas o comércio e a restauração, certo? É que, no máximo, podem ganhar mau colesterol e uma úlcera no estômago, mas fora isso só perdem. Principalmente várias notas de 20 euros.

 

Eu quero revolucionar o mundo e nada melhor do que começar por eliminar isto dos jantares de Natal. Já chega, já cansa, é sempre a mesma coisa. Já sabemos que a Rita vai ficar bêbada em menos de 5 minutos. É garantido que o Carlitos vai querer armar-se em campeão das misturas do álcool e vai vomitar nos sapatos de alguém. E é certinho que, no fim, toda a gente vai chegar a casa arrependida de ter ido, porque gastou dinheiro no jantar, gastou dinheiro em gasolina, teve de aturar bêbados e ainda estragou uma camisola com nódoas de vinho.

 

Nos jantares de Natal, normalmente, há dois tipos de disputas: quem fica mais borrachão ou quem conta as piadas mais secas. Quase sempre uma coisa está relacionada com a outra. Quanto mais molhada de álcool estiver a garganta de alguém mais hipóteses há dessa pessoa contar piadas mais secas do que as que conta o João Baião na SIC.

 

Outro fenómeno perfeitamente evitável são as trocas de prendas ou como se diz em linguagem natalícia: “troca de miminhos”. Quem é que não fica furioso quando compra um conjunto de pratos da Vista Alegre para entrar no sorteio de prendas e depois recebe umas pantufas de coelho da loja dos chineses? Que ainda por cima são de um tamanho mais pequeno do que aquele que realmente se calça? Não há espírito natalício que permita tal poder de encaixe, gente.

 

Eu proponho, a bem das carteiras e do bom funcionamento do fígado das pessoas, que se acabe com os jantares de Natal antes do dito Natal. Não sejamos mais papistas que o Papa. Na noite de Natal já nos consolamos de comer à fartazana. Por estes dias, fiquem-se por um pequeno-almoço de Natal com os vossos colegas, por uma lanchinho de Natal com os vossos amigos. Por uma troca de rebuçados ou de gomas como “miminho de Natal” e já está bom.

 

Eu sou agnóstico, não me convidem para celebrar, por antecipação, o nascimento do Menino Jesus. Pronto, está bem, eu vou ao raio dos jantares de Natal, mas com três condições: que sejam de borla, que não haja mais ninguém para contar piadas secas, a não ser eu, e que se realizem no Panteão. Não estou a ser muito exigente, pois não?
 

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