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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

11.Nov.17

Lagarta, Lagarta

Sérgio Ambrósio

Deus nos livre de encontrarmos uma directora de escola no prato! É que se assim fosse, as lagartas eram capazes de nos pôr um processo disciplinar, por estarmos a removê-las do seu local de trabalho, que é – como toda a gente sabe – o prato de um aluno da EB 2/3.

 

Isto não tem piada, garanto-vos. Uma directora de escola querer punir uma aluna por ter filmado uma lagarta, no seu prato da comida, e ter divulgado as imagens nas redes sociais é grave. Porque a directora da escola sabe que se arrisca a ter uma visita do chef Ljubomir a chamá-la de porca e a querer fechar a cozinha e cantina da sua escola.

 

Eis o que a senhora directora queria que a aluna tivesse partilhado nas redes sociais: “malta, vocês vão-se passar! Vejam, neste vídeo que estou a fazer, a óptima refeição que vou comer na minha escola! Uma deliciosa lagarta! Ah pois é, está fresquíssima, vivinha da silva. A nossa escola é fixe e a vossa não. Chupem, invejosos!”. Devia ser, mais ou menos, isto que a senhora directora queria que a aluna divulgasse ao país.

 

Eu já percebi que os directores das escolas portuguesas querem uma reeducação alimentar para as crianças: frango cru, rissóis congelados, lagartas. Escusavam era de se inspirarem na gastronomia chinesa. É que a seguir, se calhar, vão querer que as nossas crianças comam ratos, baratas, centopeias ou moscas, divulgando as maravilhas nutricionais destes animais na alimentação. Não pode ser, até porque Portugal tem pratos tradicionais maravilhosos.

 

Sugiro que nas escolas sirvam o mesmo tipo de alimentação que servem na Assembleia da República. Acho que assim as crianças ficariam bem servidas, bem alimentadas e não haveria mais nenhum escândalo na imprensa relativamente a alimentos estranhos nos pratos das crianças nas escolas.

 

É que aposto que na cantina da Assembleia da República não servem lagartas. Aposto que os directores das escolas não comem lagartas. E também aposto que lagarta nenhuma desejaria ser comida por ser humano algum.

 

Elas sabem, com certeza, que os seres humanos não são dignos de comer um bichinho tão simpático, tão macio, refrescante e gourmet como é a lagarta. O Estado devia era contratar o chef Ljubomir para fornecer as refeições nas escolas. Ou, no mínimo, contratá-lo para fazer um programa chamado «Pesadelo no Refeitório Escolar», a fim do chef Ljubomir dizer, olhos nos olhos, dos directores da escola o quão badalhocos e estúpidos eles são.

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