Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

15.Nov.17

Maria do Carmo

Sérgio Ambrósio

A minha avó paterna acha sempre que eu estive raptado algures e que, por isso, não como há uma semana: "ó Sérgio come, não comeste nada, carago". Isto quando já abocanhei 3 sandes, 2 fatias de bolo e meia tablete de chocolate Milka.

 

Não sei de onde surge esta fixação das avós com o apetite dos netos. Mas é de uma generosidade e carinho assinaláveis que nos queiram ver bem alimentados. Felizmente, ando no ginásio senão, por esta altura, estava em vias de me candidatar a apresentador do Preço Certo.

 

Curiosamente (ou não), o Preço Certo é o programa de TV favorito da minha avó. Se calhar é dali que vem a preocupação com a comida. É que vendo ali tantas chouriças, presuntos, leitões e doçarias diversas ela deve pensar: "quem me dera que o meu neto fosse tão guloso, tão bonito e tão engraçado como o Fernando Mendes".

 

A minha avó é especial porque naturalmente é minha avó e fez o favor de me aturar em muitas férias grandes, de cuidar de mim, apaparicar-me e de gostar de mim do jeito que eu sou, com todos os defeitos que tenho, sobretudo o facto de não ser uma pessoa esfomeada. Eu sei que ela isto não me perdoa. Eu sei como ela fica irritada quando eu recuso comer uma tachada inteira de arroz de marisco.

 

Mas a minha avó é especial por um motivo em particular: foi a primeira pessoa, na minha vida, que teve a amabilidade e o bom senso de me oferecer uma camisola do FC Porto. Nunca ninguém tinha feito isso por mim. Já era vivo há 8 anos e nunca ninguém teve a dignidade, a visão e a inteligência de me oferecer aquilo que devia ser obrigatório ter ainda antes de sair da maternidade.

 

Mas a minha avó fê-lo. Consegui cravar-lhe uma camisola do FC Porto. Mais, consegui que ela expusesse a sua habilidade profissional de costureira ao bordar-me o número 9 nas costas da camisola. Número do meu ídolo Domingos Paciência. Isto numa altura imberbe em que ainda não havia a facilidade e a moda de estampar camisolas com o nome e o número que queremos.

 

A minha avó faz hoje 88 anos. Já viu o neto fazer muitas asneiras e algumas coisas boas. Só espero que tenha muita saúde e tempo de vida para continuar, por muitos anos, a chatear-me para eu comer como um lobo esfomeado. Muitos parabéns, avó!

16 comentários

Comentar post