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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

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16.Out.17

O Perfil do Incendiário. Ou Terrorista Português

Sérgio Ambrósio

O incendiário é o tipo que não se filia na Al-Qaeda ou no Daesh porque não tem escolaridade para tal. Então pratica terrorismo doméstico, no meio da floresta, com uma caixa de fósforos.

 

O incendiário, ou melhor, o terrorista português é demasiado cobarde para pertencer a uma organização terrorista porque não tem coragem de se matar a ele próprio numa explosão. Opta, então, pela segurança de pôr fogo, fugir e fascinar-se por provocar somente a desgraça alheia.

 

O terrorista português é aquele que, sem nada para fazer em casa, vai incendiar floresta equivalente a cem campos de futebol só para desfastio.

 

O terrorista português é low profile. Não quer aparecer com a sua cara na TV como o Emplastro porque geralmente é feio e tem os dentes estragados. Prefere que apareça na TV o seu trabalho de diabo: o fogo a consumir a natureza e os bens das pessoas.

 

O terrorista português é aquele que se acha inocente porque raramente mata pessoas e não sente remorsos ou culpa porque as árvores e as pastagens tornam a crescer.

 

O terrorista português tem tanto medo de ser formado e escolarizado que deita fogo às árvores na esperança de que não se façam mais livros para ele não se sentir um asno.

 

O terrorista português acha que nunca tem idade para ter juízo, por isso deitar fogo é um estilo de vida para cumprir enquanto o diabo lhe der forças e não lhe faltarem as mãos para acender o isqueiro.

 

A mulher incendiária/terrorista portuguesa é aquela que acha que se puser fogo no mato o marido vai ser mais carinhoso para ela, bem como a população em geral.

 

O terrorista português não tem medo dos bombeiros porque eles são soldados da paz. Ele só teria medo de alguma autoridade se o castigo fosse severo e não uma anedota.

 

O terrorista português geralmente nunca viu o mar e acha que se chegar fogo à floresta os bombeiros podem convocar uma onda do mar para passar na sua aldeia a caminho das serras cheias de lume.

 

O terrorista português nunca viu um helicóptero, ao vivo, e vê-los a passar fá-lo lembrar-se dos filmes do Rambo que via na televisão na infância.

 

O terrorista português é abandonado pela mulher e vai carpir mágoas para o meio da floresta com uma caixa de fósforos numa mão e a cerveja na outra.

 

O terrorista português vai deitar fogo ao terreno do vizinho porque este não lhe deu um cigarro no café.

 

O terrorista português está tenso e em vez de ir fazer ioga ou pilates vai deitar fogo à serra para libertar a tensão.

 

O terrorista português quer ter uma erecção. Em vez de procurar uma mulher, ver um filme porno ou desfolhar a Playboy, ele só atinge o orgasmo ao ver uma árvore a bambolear-se em labaredas.

 

O terrorista português nunca fez nada de relevante na vida para ser notícia na televisão. Deita fogo a uma bouça e, na televisão, falam daquilo o dia inteiro e ele sente-se a estrela da terra, julgando-se o mais esperto.

 

O terrorista português reincide porque sabe que não vai para Guantánamo. Por vezes, sabe que até nem fica na cadeia.
 

O terrorista português acha que o verde já está muito batido e que a paisagem fica mais espectacular carbonizada.

 

O terrorista português acha que os velhotes das aldeias passeiam pouco e então serem evacuados pela Protecção Civil é uma forma de passearem e saírem da rotina.

 

O terrorista português ouve na televisão que Portugal está uma desgraça e, ao chegar-lhe o fogo, julga que é uma forma de purificá-lo.

 

O terrorista português devia ser identificado e ter pulseira electrónica e levar choques de cada vez que se aproximasse de uma árvore.

 

O terrorista português devia ficar na esquadra durante toda a época de incêndios. Ou seja, Primavera, Verão e princípio de Outono. 

 

O terrorista português ataca pessoas, florestas e património. Só quando pegar fogo a Bancos, Ministérios e Embaixadas é que vai ser considerado oficialmente terrorista? Ou nem assim é terrorismo em Portugal?

 

A realidade é que enquanto não tratarem os incendiários como terroristas não vai diminuir o número de incêndios em Portugal. O meu medo é que o Estado funcione como outro terrorista que não quer saber disso para nada. E aí, meus patrícios, estamos todos fritos.

 

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