Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

21.Nov.17

Orelha Negra

Sérgio Ambrósio

Recordação dos tempos em que fazia reportagens de concertos… O tempo voa… Mas a música de Orelha Negra continua em grande.

 

11/12/2010. Com a vinda de Dezembro, o frio enregela o corpo e são muitas as pessoas que procuram lojas de electrodomésticos para adquirirem aquecedores que lhes esquente os músculos e ossos. Mais fácil seria (e barato!) comprar o CD de Orelha Negra ou assistir a um concerto deles. O encontro com o calor seria uma garantia, existindo o bónus da quentura se alastrar à alma! No coração, o incêndio é, desde logo, inextinguível!

 

A HIPHOPulsação crew assistiu no Plano B, no Porto, pela primeira vez a um show de Orelha Negra. Não foi necessária uma grande ginástica mental para se perceber que a casa seria demasiado pequena para albergar todo o público que desejava sentir o groove dos cinco violinos. Perdão, cinco magníficos. De facto, o Plano B esteve rebentando pelas costuras, com muita gente a querer comprar ingressos à última da hora para o espectáculo e, ao invés do rectângulo mágico, deparou-se com um dilacerante “esgotadíssimo”!

 

Como referido, era difícil alguém conseguir mover-se no meio da assistência devido à elevadíssima concentração de corpos por metro quadrado. Muitos terão pensado: «Ó meu Deus, como é que eu danço agora?». A interrogação tem absoluta razão de ser. É que escutar a música de Orelha Negra e não se sentir imediatamente impelido a mexer a cabeça, tronco e membros, só está ao nível dos mais insensíveis à arte musical e dos portadores de veias de gelo, por onde não correm sentimentos e emoções.

 

Eis que os artistas irrompem pelo meio do público, em direcção ao palco (onde arranjaram espaço para abrir alas? Crê-se que os artistas têm uma faceta sobrenatural, mística, mas nunca pensámos presenciar in loco uma travessia de Orelha Negra semelhante à do Mar Vermelho!). Analogias à parte, certo é que a partir dali tudo foi felicidade. O espectáculo começou. Ali em cima, só a música. Dona e senhora da noite, a única boca dos artistas. Mais nenhuma outra se ouviu dos intervenientes. E ninguém se importou! Porque as colunas debitavam o lume último para nos levar à catarse através da embriaguez sonora e pelo escorrimento de suor pelo corpo.

 

Orelha calcorreou o seu disco, atiçando-nos a adivinhar qual era aquele sample ou aquela voz que saía da MPC e que nos estava ora na ponta da língua, ora debaixo dela, não nos ocorrendo o nome para verbalizá-lo... Mas em tudo, um intenso prazer a derreter-se como chocolate na língua dos nossos ouvidos! Não se estranhou que em palco estivessem não somente os cinco integrantes de Orelha Negra e toda a imensidão de gente que vive na sua música, mas também convidados especialíssimos como De La Soul ou Prince Paul ou The Whatnauts, Beyoncé e Jay-Z ou Rich Harrison ou Chi-Lites, Jake One ou Space, Noora Noor, MC Hammer, Snake...

 

Passou cerca de uma hora de concerto. Mais pareceu dois minutos. Acaba rápido o que é bom, não é? E em sessenta minutos tanta memória que fez clique dentro de nós! Um teclado, um baixo, uma bateria, uma MPC, uns Technics, funk de fino recorte, soul apaixonada, jazz chique, música portuguesa, samples, loops, breaks, tudo disposto numa paleta harmónica e nas mãos certas e engenhosas... Facho de vício que nos deixa os ouvidos e o corpo a ressacarem por mais uma experiência ao vivo com Orelha Negra!

8 comentários

Comentar post