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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

02.Jan.18

Porta dos Fundos

Sérgio Ambrósio

porta dos fundos.png

Eu queria que a minha vida fosse como a Porta dos Fundos. Um conjunto de sketches (ou esquetes) engraçados onde as pessoas se riem, passam os créditos e depois ainda há um miminho de bónus.

 

Mas a minha vida é mais um canal de YouTube português manhoso. Daqueles que podia ir parar perfeitamente ao Azeitugal. Mas, pelo menos, viralizava que a minha vida actual nem isso faz.

 

Só viraliza uma constipação, uma gastrite e uns fungos nas encravadas unhas dos pés. Mais nada.

 

Eu queria ser o Fábio Porchat para ter a graça dele. Eu queria ser o Gregório Duvivier porque ele só pega mulheres lindas. Eu queria ser o João Vicente de Castro porque ele é bom actor para caramba. Eu queria ser o Rafael Portugal porque ele é engraçado para cacete. Ou o António Tabet que escreve bem demais.

 

Eu queria que a minha vida fosse comédia, humor, ironia, sarcasmo e diversão. Mas isso não é vida, é sonho. Vida é o choro, as emoções, as tristezas, as decepções, as falhas, os erros, o ridículo.

 

Então eu pego nesses despojos da existência e transformo-os numa ficção engraçada. Porque a vida é para ser vivida. E eu não tenho medo de sair da vida pela porta dos fundos, não.

 

Porque mesmo que eu saia pela porta dos fundos, eu sairei de coração cheio, de consciência tranquila e com a certeza que me transformei, por ironia de mim mesmo, na pessoa que sempre quis ser.

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