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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

18.Jan.18

Como Curar a Gripe

Sérgio Ambrósio

Olá, pessoas que estão com aquele ranho atrevido a escorregar para a boca! Como vão essas fungadelas? Comprem lenços de papel, sim? Nada de limpar o nariz às mangas da camisola, ok? Deixem de ser jagunços, beleza?

 

Como curar a gripe? Eis uma questão que importa à indústria farmacêutica. Porque importante é vender Cêgripe e Ilvico às carradas. Gente, a melhor solução para curar a gripe é esperar que ela passe.

 

«Está bem, ó Sérgio, mas nós somos impacientes, detestamos estar doentes e queremos curar-nos disto já!». Pronto, ok, não precisavam de ser tão reivindicativos, amigos leitores! Eu dou-vos umas dicas que vão curar rapidamente a gripe. Não se riam, mas sinto-me o Professor Caramba a vender banha da cobra. Cá vai disto. Conselhos básicos para curar a gripe:

 

1 – Não gastem dinheiro em medicamentos, por favor. Façam dois furos num gorro velho que tenham em casa, peguem numa faca de cozinha e assaltem a farmácia da vossa zona. Não sejam gulosos, tragam só os medicamentos estritamente necessários para vocês.

 

2 – Peguem num copo, alho picado, mel, sumo de limão, vinho do Porto e botem abaixo. Garanto-vos que a gripe vai embora. E o fígado também pode ir com o caraças, por isso, certifiquem-se que têm um dador compatível.

 

3 – Repouso absoluto. Se alguém ousar incomodar o vosso sossego de monge budista, façam como o Wuant e mandem essa pessoa inconveniente e invejosa para o c@%#&0.

 

4 – Se estar na cama não é a vossa cena, vão a um hospital. Calma, mas não a um hospital qualquer. Português então nem pensar! Aquilo deve estar mais cheio que o Pingo Doce no Dia do Trabalhador. Vão a um hospital espanhol. Eis as vantagens: gasolina mais barata, taxa moderadora mais barata, medicamentos mais baratos e têm o bónus de dar um passeio pelo país vizinho. Com jeitinho e ainda tiram uma selfie com o Cristiano Ronaldo. Mas não lhe peguem a gripe!

 

5 – Lavem as mãos. A não ser que queiram lixar algum colega de trabalho. Nesse caso, esfreguem-lhe bem as mãos nas fuças. Em que circunstância? Não sei. Improvisem!

 

6 – Deixem de ter sexo com pessoas gripadas. Se o vosso cônjuge está com gripe, protejam-se e arranjem um (ou uma) amante (ou tudo ao mesmo tempo, desde que nenhum esteja com gripe).

 

7 – Inalem vapor de eucalipto. Porque é legal. A cannabis tem efeitos terapêuticos mas os senhores deputados querem essas benesses só para eles.

 

8 – Tomem a vacina contra a gripe. A não ser que tenham deixado recentemente a heroína e não se queiram sentir tentados pelos prazeres das agulhas.

 

9 – Agasalhem-se. Com este frio e andam a tirar fotos semi-nuas para o Instagram? Acho muito bem, continuem com o excelente trabalho, mulherada.

 

10 – Não façam nada. A gripe acaba por passar. E assim evitam a chatice de terem sido presos a assaltar a farmácia; a vergonha de vos rotularem de criativos alcoólicos; a infâmia de vos chamarem mandriões; o descaramento de alegarem que são pouco higiénicos; evitam divórcios; não perdem dinheiro para os traficantes de substâncias naturais; não contribuem para o entupimento dos Centros de Saúde; e sobretudo fazem do Instagram uma rede social apenas com uma estação do ano: o Verão! Não são o máximo estas 10 dicas para curar a gripe? As melhoras!

18.Jan.18

Ronaldinho Gaúcho

Sérgio Ambrósio

O craque brasileiro terminou oficialmente a carreira. Espalhou magia com o seu brinquedo preferido no pé – a bola – e fez sorrir miúdos e graúdos com a sua arte. Há quem lhe tenha chamado futebolista, eu prefiro categorizá-lo como artista.

 

E foi no relvado que pintou golos, dribles, coxinhas, cabritos, elásticos, assim como mandou para a terapia alguns defesas que saíram humilhados do campo. A imagem de Ronaldinho é um sorriso no rosto, um samba no pé e muita paixão pelo futebol no coração.

 

Ronaldinho era a alegria de qualquer adepto do futebol. Teve o condão de marcar golos ao Real Madrid e de ter os adeptos madrilenos a aplaudirem-no enquanto ele tinha colada ao corpo uma camisola do Barcelona. Ninguém resistia ao seu talento, todos se rendiam ao espectáculo que proporcionava.

 

Expoente máximo do futebol-arte, Ronaldinho Gaúcho já deixa saudades. Num futebol cheio de tácticas e de anti-jogo e de guerrilha, a irreverência do astro brasileiro fazia com que olhássemos para o topo do futebol mundial e ali víssemos um menino traquina a jogar descomplexadamente uma peladinha, passando-nos a sensação de que aqueles gestos eram simultaneamente a coisa mais fácil e mais feliz do mundo.

 

Ronaldinho acabou a carreira com 37 anos. Mas pareceu sempre ter a idade dum moleque sem medo de enfrentar os adultos. Talvez tenha estado aí a magia: os outros jogadores cresceram, mas Ronaldinho quis sempre continuar a ser uma criança jogando a bola. O mundo jamais esquecerá as belezas artísticas que produziu. Oxalá a História da Arte não se esqueça de incluir o nome de Ronaldinho Gaúcho nos seus compêndios. Nada mais justo.