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tudopassacarago

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O Meu Jamor

Julho 12, 2018

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Hoje é dia de Taça de Portugal. Porto e Sporting defrontam-se na 1.ª mão da meia-final, no Estádio do Dragão. Bem sei que será tarefa árdua para o Porto garantir acesso à final do Jamor. Mas como já lá vivi algumas finais, deixo-vos as minhas impressões do que é sentir o Jamor como adepto do FC Porto.

 

O meu Jamor é azul e branco. O Porto nunca joga sozinho, há um adversário a defrontar, mas os meus olhos daltónicos, por opção, apenas se importam com o azul e branco.

 

O meu Jamor é um estádio à grega, esculpido na paisagem. E como na dramaturgia, tem heróis e vilões mas no fim triunfa sempre o amor ao Porto, mesmo que não ergamos a Taça de Portugal.

 

O meu Jamor é uma emoção. São milhares de pessoas que se abraçam entre si, numa corrente de força, que, por sua vez, abraça cada jogador portista que está no campo.

 

O meu Jamor tem jogadores de fibra, que não têm medo de subir a bancada repleta de adeptos rivais, atirando insultos, garrafas e pedras para impedir os nossos capitães de levantar a Taça. E mesmo assim, eles levantam-na porque merecemos vê-la brilhando no alto da suas mãos.

 

O meu Jamor é um grito de revolta e de coragem dentro do coração do centralismo. É uma invasão de regionalistas e bairristas orgulhosos.

 

O meu Jamor tem cheiro de carnes no churrasco, tem um céu azul e branco condizente com as nossas cores, tem a pronúncia quente das nossas claques nos cânticos em louvor ao Porto. O meu Jamor tem um portismo inquebrável, uma fidelidade eterna, uma lealdade absoluta, um fervor inextinguível no modo de se viver o portismo.

 

O meu Jamor é feito de sonhos: de um azul que se intensifica a sul. O meu Jamor é sempre um chuto de liberdade nessa Lisboa menina e moça, que cada vez mais se tem deixado seduzir pelas gentes que trazem o granito no carácter.

 

Assim que se ergam as cortinas daquele anfiteatro para nós, é certa a presença de onze bravos dragões que tudo farão para espalharem o perfume do seu futebol no relvado. E desse modo, o meu Jamor irá cheirar bem, o meu Jamor irá cheirar a Porto!

O Meu Menino

Julho 02, 2018

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O Jardel tem no boletim de vacinas a catalogação de cão labrador. No entanto, ele é tudo menos um cão. Para mim, ele é um jardim zoológico inteiro.

 

Tem a força de um touro; dentes de crocodilo; come como um leão; salta como um kanguru; tem dias que é mau como as cobras; cheira tantas vezes mal como um porco; escava mais terra que uma toupeira; possui a velocidade de um cavalo; a atenção de um suricata; é medroso como um rato; tem o mau feitio de um gorila e a graça trapalhona de um macaquinho.

 

O Jardel podia ter ido para a polícia ou para os bombeiros. Preferiu tomar conta de nós 24 sobre 24 horas. Preferiu a nossa casa. Hoje teve de deixá-la. Foi dar trabalho às doutoras da clínica veterinária.

 

A vida quer pregar-lhe uma rasteira. Diz que é uma doença neurológica. Maldita seja! Aconteça o que acontecer, o Jardel é um guerreiro, um campeão, a alegria da casa, o meu menino, o nosso menino. E continuará a ser o rei desta família.

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