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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

12.Out.18

Olé

Sérgio Ambrósio

Isto é que vai para aqui uma tourada, pessoal! Ele é o Ronaldo, ele é o Ministro da Defesa, ele é o Paulo Dentinho, ele é a própria RTP. A malta do serviço público ainda não se cansou de televisionar idiotas a torturar touros?

 

Eu invejo os americanos pela sua inteligência. Não é que há gajos que constroem robots com serras, roldanas, espigões e até jactos de fogo e metem os bichos mecânicos numa arena a lutarem uns contra os outros? Isto é bom senso: querem ver luta, sim senhor, mas os robots não sangram do aço. Ao contrário dos touros.

 

Os americanos estão no século XXI com lutas de robots. Portugal está na Idade Média com arenas cheias de gente sedentas de ver um animal a ser carne para canhão, vertendo sangue, sendo humilhado, em nome de uma tradição. Se é para manter tradições vamos lá buscar a cadeira eléctrica, o pelourinho e as calças à boca de sino. Por falar em moda, que roupas são aquelas da tauromaquia? Há aldeões no Daguestão que se vestem melhor.

 

Se a malta das touradas fosse esperta, substituía o touro de carne e osso por um touro-robot. Podiam continuar a fazer a sua cena, a indústria podia continuar a funcionar, os aficionados pagavam o seu bilhete para entrar nas praças, mas fazia-se uma tourada versão sociedade moderna. Tipo, «vamos lá montar num cavalo e espetar bandarilhas num touro, mas nada de aleijar o bicho, que ele é feito de aço, alumínio e demais materiais que se usam para fazer robots».

 

Mas não. O aficionado português é morcão. Quer sangue, quer sofrimento, quer tortura. O aficionado português é morcão e cruel. E a televisão que transmite tourada? Ui, essa está a agoniar como um touro no fim da selvajaria a que alguns designam de “espectáculo”. Temos pena. Do touro. Não do definhamento de uma televisão que não sabe ou não quer evoluir.

 

Ah, e quantas às touradas, não acabem com elas. Deixem é de ser burros e não metam lá animais. Metam robots a ser torturados. Para animais já chegam os que querem torturar.

11.Out.18

Saúde Mental

Sérgio Ambrósio

Portugal é um excelente país para perderes a saúde mental. Principalmente quando acordas, dizes bom dia e lês no jornal que o André Ventura quer criar um partido novo. A vida não se cansa de nos presentear com disparates.

 

Portanto, a solução é rir. Verdade. O mundo é um canalha e testa-te e procura sugar-te o que tens de melhor. Se lhe mostrares que és um doido varrido que não tens medo dele, que te vais rir de todos os absurdos, vais viver com mais tranquilidade e estabilidade emocional.

 

Que pena que haja apps para tudo e mais alguma coisa e ainda não inventaram uma app para apagarmos as nossas memórias ruins, carago. Dava jeito. Mas a tecnologia nunca fará de nós pessoas perfeitas. E é nessas memórias angustiantes e, por vezes, ridículas que temos de nós mesmos que nos sentiremos humanos, se as desmontarmos pelo humor, ironia e riso.

 

Aviso-te que não terás uma boa saúde mental enquanto achares que a tristeza é a tua única companhia. Por isso é que eu recorro sempre a brasileiras cheias de folia, samba e gargalhada fácil. Tenham sempre uma à mão.

 

Fumar, álcool e drogas não dão prazer à tua mente, nem são um escape para os problemas da vida. Essa trilogia apenas transforma o teu cérebro num tubo de escape de um Ford Escort de 1984. Leva uma vida saudável. A alimentação é essencial, bem como o exercício físico. Mente sã em corpo são. Por não fazer nada disto é que o Pedro Guerra bate tão mal da mioleira.

 

Não leves a mal se te diagnosticarem uma doença mental. Vê o lado positivo: tens cérebro. Agora só falta curá-lo. E pelo que vemos no mundo há muita gente sem cérebro sequer.

 

“Ah e tal, não sabes do que estás a falar e estás a gozar com o pessoal que sofre”. Sei sim e sei também que rir é o melhor remédio. Palavra. Porque rir é uma preciosidade, é uma resistência, é uma rebeldia contra os fantasmas e demónios da vida. E todos precisamos é das endorfinas e não dos unicórnios dos livros de auto-ajuda.

 

Por isso, não tenham medo nem vergonha de procurar ajuda médica. Contem os filmes que vos passam pela cabeça ao vosso psicólogo ou psiquiatra. Na melhor das hipóteses, esses profissionais de saúde ajudam-vos a ter melhor qualidade de vida. Em qualquer circunstância, irão dar-vos um Óscar. Não pelo filme que contem. Mas pela vossa coragem!

10.Out.18

A Mentira

Sérgio Ambrósio

A mentira tem perna curta. Sem ofensa para os mancos, pernetas. Apesar disso, mentimos com quantos dentes temos na boca (e quem tem próteses, vale?). A pior mentira é aquela que contamos a nós mesmos. A minha preferida é que sou o melhor homem que uma mulher pode ter.

 

Há pessoas tão hábeis a mentir que aquela ideia de crescer o nariz a cada mentira era bem útil. Já imaginaram cruzarem-se na rua com pessoas com narizes com centenas de metros? O trânsito automóvel seria uma brincadeira de crianças comparado com esta calamidade de congestionamento circulatório de narizes na via pública.

 

O Cristiano Ronaldo mente. Kathryn Mayorga mente. O Bolsonaro mente. Haddad mente. Os militares mentem. A polícia mente. Ainda bem que todos mentimos senão só os padres, os advogados e os políticos é que iam para o Céu. E aquilo era ambiente para ficar chato.

 

Vivemos na era da mentira, das fake news, num tempo em que até partilhar citações da Clarice Lispector no Facebook pode ser um logro! Mas quem é que desatou a inventar frases da treta e a atribuí-las a escritores famosos?

 

Se a mentira fosse rara, ela estava cotada ao preço do açafrão. Mas é tão abundante que é grátis. A verdade é cara. Tão cara que, por vezes, custa a própria vida, a uns.

 

A mentira é uma forma de compor a vida. Por isso, amamos cinema, literatura, música, séries... Tudo ficção, tudo inventado na raiz da imaginação, tudo mentiras boas. No fundo, a mentira é um consolo.

 

Há quem diga que a vida é uma grande mentira. Então, mentir é cumprir o nosso desígnio no mundo. Porém, eu não! Eu pauto-me sempre pela verdade, nem que para isso tenha de mentir descaradamente.

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