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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

24.Out.17

Melhor Que o Pelé

Sérgio Ambrósio

Factualmente, Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo e o melhor futebolista português de todos os tempos. Mas o meu coração não vive de factos. Vive de emoções e sentimentos. E para o meu coração o melhor jogador da História do futebol foi… Deco.

 

Ele era o número dez, fintava com os dois pés e era melhor do que o Pelé. Não se escandalizem. Até porque o Pelé era uma lástima a fazer entradas de carrinho e o Deco fazia-as com a classe de quem faz das entradas de carrinho uma arte ao nível da marcação de golos ao ângulo.

 

A Art Deco não foi um movimento artístico, foi sim um prenúncio de homenagem a um futebolista que, um dia, nasceria em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, mas que Deus quis que se tornasse tão portista como quem nasce na Ribeira ou em Massarelos. E que pintava obras-de-arte não com pincéis e tintas mas somente com umas chuteiras de pitões de alumínio.

 

Quando o Deco estava no Benfica, sabia-se perfeitamente que era uma questão de meses até se estragar irremediavelmente e desaprender de jogar. Quando o Deco jogou no Alverca, pressentia-se que o clube ribatejano podia tornar-se no melhor clube do sul do país, a qualquer instante. Quando o Deco estava no Salgueiros, sentia-se que o clube de Vidal Pinheiro podia ser campeão a qualquer momento. O Deco era tão bom que podia ter perfeitamente jogado a titular por Brasil e Portugal ao mesmo tempo.

 

Não é exagero. Um pé do Deco valia mais do que os quarenta e quatro pés dos jogadores titulares dos dois grandes clubes de Lisboa. Sempre que Deco jogava contra Benfica e Sporting, no dia a seguir aos jogos os telefonemas com reclamações aumentavam na DECO, mas não havia Defesa do Consumidor que valesse aos adeptos dos clubes alfacinhas.

 

Eu adoro o Deco e acho-o melhor do que o Pelé. Porque o Deco era o único futebolista no mundo que fazia três coisas em simultâneo em campo: jogava futebol, declamava a poesia de Drummond de Andrade e trabalhava duro como um fazendeiro em pleno pico de colheitas.

 

Deco saiu do Porto como Campeão Europeu. Mas ele já era o melhor jogador do mundo no melhor clube do mundo. O Deco era um jogador à Porto porque punha o seu talento individual ao serviço do Colectivo, dos Super Dragões e demais sócios e simpatizantes do Porto. Por isso, é que foi um ídolo tão grande entre os adeptos. E será sempre uma lenda. Para nós, portistas, maior que Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo ou Messi.

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