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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

12.Jan.18

Quem Nunca?

Sérgio Ambrósio

Carlos Coutinho Vilhena, desculpa o plágio, mas o título tinha mesmo de ser este, ok? Eu nunca roubei nada a ninguém: nem ideias fixes, nem títulos, nem corações. Sou tão falso! Mas quem nunca, não é mesmo?

 

Eu nunca me gabei de trair. E eu já me traí a mim mesmo. A sério, fui tão estúpido. Eu nunca matei nem uma mosca, nem uma barata, nem uma formiga. Tenho o meu cão que faz isso por mim. Sou tão sortudo.

 

Eu nunca cuspi no chão. A minha saliva é que tem uma atracção mórbida em aterrar. Eu nunca menti a ninguém. Nem mesmo daquela vez em que disse que estava muito doente e não estava nada.

 

Eu nunca tive ambições políticas. O Paulo Portas também não e, no entanto, deu no que deu. Eu nunca podia ser eleito para um cargo político porque eu próprio metia-me numa cela da cadeia, antes de roubar os contribuintes. Palerminha, claro…

 

Eu nunca insultei nenhum árbitro de futebol, nem nenhum jogador adversário, nem um adepto da equipa rival. Só lhes lancei indicações sobre o sítio adequado para onde, achava eu, se deveriam dirigir. Se era literalmente para voltarem para o útero da mãe deles, não sei, mas foi o único lugar que me inspiraram, na altura.

 

Eu nunca saí do Porto porque tenho medo de me apaixonar por outros sítios. A simples ideia de meter os cornos à Ponte D. Luís dá-me arrepios na alma. Temo que ela nunca me perdoaria se soubesse que eu andara a palmilhar outras pontes.

 

Eu nunca fui assediado. Por menores de 18 anos. As tipas faziam questão de me mostrar o Cartão de Cidadão, onde eu verificava que eram maiores de idade, para lançarem sobre mim a descrição das experiências sexuais que queriam aplicar no meu corpo.

 

Eu nunca fui apalpado por gajas desconhecidas na rua. Que tivessem ingerido litradas de álcool. Não sei porquê mas as bêbadas nunca engraçaram comigo. As sóbrias estão sempre à espreita de uma oportunidade de me apertarem a chicha.

 

É tentador, mas eu nunca meti nenhum objecto no meu ânus. Mas uma médica já me meteu, a filha da mãe. Deve ter sido por eu sempre ter tido fetiches com enfermeiras e nunca com médicas.

 

Fazendo as contas, eu nunca tinha mentido tanto numa crónica como menti hoje. Paciência. Nunca havia dito que dessa água não beberia.

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