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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

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03.Dez.18

Salvador Martinha - Cabeça Ausente - Review

Sérgio Ambrósio

Isto é capaz de não ser bem uma review. Estou só a avisar para não virem ao engano. Não vou obviamente contar as piadas do espectáculo. Para isso vocês têm de pagar 12 paus como eu paguei e surpreenderem-se vocês mesmo com o Salvador, boa?

 

Mas posso fazer de jornalista e contar como correu a cena. Epá, organização péssima. Ninguém me serviu champanhe nem caviar. Calma, estou na tanga. A sala é fixe, aconchegante, mas as portas deveriam ter aberto mais cedo. O atraso fez com que o solo se iniciasse um pouco depois da hora, o que é chato. Claro que o tuga é atrasado, por natureza, mas convém sempre agilizar as coisas melhor para se começar o mais perto possível da hora. Porque imaginemos que eu às 23h tinha marcado de estar a pinar. Devido ao atraso, a dama podia ficar chateada e eu depois ficava a chuchar no dedo… Pois. Era chato. De modos que não podemos dar azo a este tipo de encrencas, certo? É só melhorar isso, lidadores!

 

Quem acompanha o Salvador sabe que ele quando já está em palco e vê pessoas atrasadas a entrar na sala ele adora meter-se com essas pessoas. E isso proporciona momentos hilariantes. Com isto, Salvador revela a mestria do improviso que advém dos muitos anos de rodagem. A forma como dispara piadas à medida que acontecimentos espontâneos se sucedem é muito engraçada. Primeira regra num espectáculo do Martinha: nunca chegues atrasado, senão vai sobrar merda para ti e toda a sala vai rir-se à tua pala. Segunda regra: durante o espectáculo mete o telemóvel bem no meio das nádegas. Concordo, o momento é do artista, é ali que deve recair a atenção e para quem está no palco pode distrair-se com alguém no público a mexer no telemóvel. Por isso, respeito. É o mínimo que temos de ter por um gajo que está ali para nos fazer mijar a rir.

 

O conteúdo do solo é muito bom. O Slow J que se ponha a pau porque se o Salvador lança um disco de rap, Portugal não está preparado para rimas tão impactantes! A cabeça do comediante diverge por tópicos como casamento, a sua filha, os amigos, as namoradas dos amigos, youtubers, gordos, pedofilia e jantares em sítios manhosos mas que proporcionam episódios bué cómicos. Em cada assunto, Salvador mantém um nível altíssimo nas piadas, no humor físico também, assim como na interacção com o público.

 

A Maia teve um público muito interactivo com destaque para um Toni que foi um espectáculo dentro do espectáculo e que Salvador Martinha tirou um incrível proveito daquela personagem do público para intensificar ainda mais o enredo humorístico do seu texto. Tudo isto demonstra a inteligência, a sagacidade do comediante de pegar naquilo que é espontâneo e com nível de comicidade em potência e aplicá-lo no show. Também teve a sorte de ter uma divertida espectadora que, quando solicitada, lhe fez o melhor lançamento de esperma imaginário que ele alguma vez presenciou, até agora! Assim, em breve o Eros Porto vai passar da Exponor para o Fórum da Maia, podem crer.

 

Em resumo, Salvador partiu a Maia. E a Maia adorou o Salvador. Houve uma química incrível entre a plateia e o palco e o Salvador é um ás no stand up, sem dúvida. Em palco, sente-se como peixe na água e o público riu à fartazana e foi para isso que pagou bilhete. Salvador despediu-se como uma espécie de Valete anti-herói que faz o seu trabalho no palco e depois desaparece na multidão, anónimo. Óptima referência e elogio do Salvador à Tertúlia Castelense, espaço onde se faziam sessões de stand up comedy, na Maia.

 

Eu saí do show não com a cabeça ausente, mas sim com a cabeça cheia de dopamina a pipocar-me o cérebro, com um sorriso nos lábios e com a barriga a doer de tanto rir. Se eu fosse o bom velho Marcelo da TVI e tivesse de dar uma nota ao espectáculo de stand up comedy “Cabeça Ausente” de Salvador Martinha, de 0 a 5, eu dava 4,5. Não percam a oportunidade de ver o solo, vão divertir-se à brava, com certeza. Salvador, deves-me 50 euros depois deste felácio de escrita, ok? De nada.

2 comentários

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    Sérgio Ambrósio 04.12.2018 21:44

    Não podemos gostar todos das mesmas coisas, senão o mundo era uma chatice Hum, será que foste a responsável pelo Salvador Martinha ter desaparecido da RFM?
  • Comentar:

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