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Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

Tudo passa carago.

E melhor passa se tiver graça.

25.Out.18

Um Minuto de Silêncio

Sérgio Ambrósio

O assunto é delicado, gente. Nunca vos pedi nada, mas chegou a altura. Peço-vos um minuto de silêncio por cada “bom dia” que dizemos num lugar público e que é ignorado, por cada “boa tarde” que é desprezado, por cada “boa noite” que é entregue ao mais profundo eco.

 

Eis aquilo que eu imagino que as pessoas pensam quando eu as cumprimento verbalmente, num sítio público, e elas defecam silenciosamente em mim.

 

Senhor no centro de saúde: “olha-me este gajo a dizer bom dia! Deves te achar o maior da tua rua, não? Olha que educadinho! Estás certinho que eu abra a boca para te dizer algo”.

 

Jovem no café: “ui, este sócio disse boa tarde? Deve pensar que o conheço de algum lado e que lhe vou dar cúfia. Achas que vou gastar latim a saudar-te, mano? Tinhas sorte, bah!”.

 

Senhora no supermercado: “esta juventude está perdida. Entra por aqui adentro a dizer boa tarde! Mas onde é que isto já se viu? Parece que andam cheios de agressividade. Juventude maluca a incomodar as pessoas que querem estar sossegadas”.

 

Menina na noite: “alto, deves te achar o maior galã ou a última bolacha do pacote! Deves mesmo pensar que vou dar trabalho a todos os músculos da minha boca só para cumprimentar um feioso como tu. Deves pensar que não tenho mais nada para fazer”.

 

José Peseiro: “boa noite? Só se for para ti, para mim está mais uma noite de trevas. Nem te atrevas a pensar que te vou responder”.

 

De maneira que é mais ou menos isto… Não é uma questão de educação, é preguiça. Boa noite!

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